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Emergência e risco

Primeiros sinais de overdose e o que fazer

Overdose não tem um rosto só. Depressores derrubam; estimulantes aceleram até quebrar. Reconhecer qual dos dois quadros está na sua frente muda o que você faz enquanto o socorro não chega.

Nascente Clínicas de Recuperação · Equipe editorial

Atualizado em · 3 min de leitura · como escrevemos

Overdose por depressores: álcool, benzodiazepínicos, opioides

Os sinais são de desligamento. Sonolência que não cede a chamado, fala arrastada, incapacidade de ficar de pé, vômito com a pessoa pouco responsiva, respiração lenta ou ruidosa, pele fria e pálida, lábios ou pontas dos dedos azulados.

O risco principal aqui é duplo: parada respiratória e broncoaspiração — a pessoa vomita inconsciente e o conteúdo vai para o pulmão. É por isso que ninguém desacordado pode ser deixado de barriga para cima.

Overdose por estimulantes: cocaína, crack, anfetaminas

Os sinais são de aceleração. Agitação extrema, confusão, fala desconexa, temperatura corporal muito alta, pele quente e suada, coração disparado, dor no peito, tremor, e em casos graves convulsão.

Aqui os riscos são cardiovascular e neurológico: arritmia, infarto, hipertermia e acidente vascular cerebral. Dor no peito depois do uso de cocaína é emergência, mesmo em pessoa jovem.

O que fazer nos primeiros minutos

Ligue 192 imediatamente. Diga o que a pessoa usou, se souber, quanto tempo faz e como ela está agora. Não omita a substância por vergonha ou medo de polícia — a informação muda a conduta do socorro e pode salvar a vida.

Se estiver inconsciente e respirando, coloque de lado. A posição lateral de segurança impede que o vômito entre no pulmão. Se não estiver respirando, inicie compressões torácicas e siga as instruções do atendente do 192, que vai te orientar por telefone.

Fique junto. Não deixe a pessoa sozinha em nenhum momento, nem para buscar ajuda — ligue de onde você está.

O que nunca fazer

Não dê banho frio nem café. Banho frio em alguém com depressão do sistema nervoso agrava a hipotermia e pode provocar parada; café não reverte nada e aumenta o risco de aspiração em quem não consegue engolir.

Não provoque vômito. Não dê comida, água ou remédio. Não coloque para andar. Não espere para ver se melhora — o intervalo entre 'estranho' e 'grave' pode ser de minutos.

Não a deixe dormir sozinha 'para curar a bebedeira'. Muita morte por álcool acontece exatamente assim, no quarto, durante o sono.

Depois da emergência

O atendimento de emergência resolve o episódio, não a causa. Uma overdose é o marcador de risco mais forte que existe: quem teve uma tem probabilidade elevada de ter outra. As 48 horas seguintes, com a pessoa lúcida e assustada, costumam ser a melhor janela para propor tratamento em toda a evolução do quadro.

Se houver indicação clínica, a internação pode ser iniciada direto do hospital, sem alta intermediária para casa. Vale perguntar isso à equipe que atendeu.

Perguntas frequentes

Vou ter problema com a polícia se chamar o SAMU?

O serviço de saúde atende e não é órgão de repressão. O medo de consequência legal é uma das principais razões pelas quais famílias demoram a chamar socorro — e essa demora custa vidas.

Quanto tempo até ser tarde demais?

Depende da substância e da dose, mas em parada respiratória a lesão cerebral começa em poucos minutos. Não existe cenário em que esperar seja a melhor escolha.

Este texto não substitui atendimento. Diante de qualquer suspeita de overdose, ligue 192 (SAMU) antes de qualquer outra coisa.

Precisa conversar com alguém agora?

A equipe atende 24 horas e a primeira conversa é uma triagem, não uma venda.

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