Nascente Clínicas de Recuperação · Equipe editorial
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Overdose por depressores: álcool, benzodiazepínicos, opioides
Os sinais são de desligamento. Sonolência que não cede a chamado, fala arrastada, incapacidade de ficar de pé, vômito com a pessoa pouco responsiva, respiração lenta ou ruidosa, pele fria e pálida, lábios ou pontas dos dedos azulados.
O risco principal aqui é duplo: parada respiratória e broncoaspiração — a pessoa vomita inconsciente e o conteúdo vai para o pulmão. É por isso que ninguém desacordado pode ser deixado de barriga para cima.
Overdose por estimulantes: cocaína, crack, anfetaminas
Os sinais são de aceleração. Agitação extrema, confusão, fala desconexa, temperatura corporal muito alta, pele quente e suada, coração disparado, dor no peito, tremor, e em casos graves convulsão.
Aqui os riscos são cardiovascular e neurológico: arritmia, infarto, hipertermia e acidente vascular cerebral. Dor no peito depois do uso de cocaína é emergência, mesmo em pessoa jovem.
O que fazer nos primeiros minutos
Ligue 192 imediatamente. Diga o que a pessoa usou, se souber, quanto tempo faz e como ela está agora. Não omita a substância por vergonha ou medo de polícia — a informação muda a conduta do socorro e pode salvar a vida.
Se estiver inconsciente e respirando, coloque de lado. A posição lateral de segurança impede que o vômito entre no pulmão. Se não estiver respirando, inicie compressões torácicas e siga as instruções do atendente do 192, que vai te orientar por telefone.
Fique junto. Não deixe a pessoa sozinha em nenhum momento, nem para buscar ajuda — ligue de onde você está.
O que nunca fazer
Não dê banho frio nem café. Banho frio em alguém com depressão do sistema nervoso agrava a hipotermia e pode provocar parada; café não reverte nada e aumenta o risco de aspiração em quem não consegue engolir.
Não provoque vômito. Não dê comida, água ou remédio. Não coloque para andar. Não espere para ver se melhora — o intervalo entre 'estranho' e 'grave' pode ser de minutos.
Não a deixe dormir sozinha 'para curar a bebedeira'. Muita morte por álcool acontece exatamente assim, no quarto, durante o sono.
Depois da emergência
O atendimento de emergência resolve o episódio, não a causa. Uma overdose é o marcador de risco mais forte que existe: quem teve uma tem probabilidade elevada de ter outra. As 48 horas seguintes, com a pessoa lúcida e assustada, costumam ser a melhor janela para propor tratamento em toda a evolução do quadro.
Se houver indicação clínica, a internação pode ser iniciada direto do hospital, sem alta intermediária para casa. Vale perguntar isso à equipe que atendeu.
Perguntas frequentes
Vou ter problema com a polícia se chamar o SAMU?
O serviço de saúde atende e não é órgão de repressão. O medo de consequência legal é uma das principais razões pelas quais famílias demoram a chamar socorro — e essa demora custa vidas.
Quanto tempo até ser tarde demais?
Depende da substância e da dose, mas em parada respiratória a lesão cerebral começa em poucos minutos. Não existe cenário em que esperar seja a melhor escolha.