Nascente Clínicas de Recuperação · Equipe editorial
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Primeiro, separe o que é urgente do que é definitivo
Urgente: impedir que novas dívidas sejam contraídas e proteger o que ainda existe. Definitivo: renegociar o que já foi feito. As duas coisas não precisam acontecer ao mesmo tempo, e tentar resolver tudo de uma vez costuma travar a família.
Comece pelo que para o sangramento.
Medidas imediatas
Cancele cartões adicionais e retire a pessoa como dependente onde for possível. Revogue procurações. Separe contas conjuntas. Guarde documentos, cartões e talões fora de casa ou em local com chave.
Bloqueie ou limite empréstimo consignado junto à instituição pagadora — em benefícios previdenciários e em folha de pagamento existem mecanismos de bloqueio que a maioria das famílias desconhece. Pergunte ao banco e ao RH.
Se houver risco de venda de bens, converse com um advogado sobre averbação e sobre alternativas de proteção patrimonial.
Sobre pagar dívidas
Pagar dívida contraída para consumo remove a consequência mais concreta do uso e, na prática, financia o próximo episódio. É o comportamento mais comum e mais contraproducente das famílias.
A pergunta útil diante de cada boleto é: isso aproxima do tratamento ou só reduz o desconforto de todo mundo hoje? Pagar terapia, consulta, transporte para o grupo e internação aproxima. Quitar dívida de consumo não.
Quando a dívida é da família
Se alguém avalizou, assinou como fiador ou teve o nome usado, o problema deixou de ser dele e virou seu. Aí a atitude muda: renegocie, procure o Procon ou a Defensoria, e registre ocorrência se houve uso indevido de documento.
Não assuma dívida nova em nome próprio para resolver dívida antiga. É o caminho mais rápido para duas pessoas endividadas em vez de uma.
Dinheiro durante o tratamento
Durante a internação, a pessoa não precisa de dinheiro em espécie, e as unidades costumam guardar valores e cartões, com registro e devolução na alta.
Na volta, o combinado sobre dinheiro deve ser feito antes da saída, com a pessoa presente. Controle silencioso gera humilhação; regra combinada, não.
Dizer em voz alta
Todas essas medidas funcionam melhor ditas do que feitas às escondidas. 'Eu cancelei o cartão adicional e vou guardar os documentos, porque eu não quero que você tenha acesso a dinheiro enquanto estiver usando' é uma frase difícil e honesta.
Ela também comunica outra coisa: que existe um limite, e que ele não é castigo.
Perguntas frequentes
Ele vai roubar de estranhos se eu cortar o dinheiro?
É o medo que trava quase toda família. Vale conversar com equipe especializada antes de decidir — existem caminhos intermediários, e essa decisão não deveria ser tomada sozinha.
Posso deixar de pagar a faculdade dele?
Você pode decidir o que financia. Educação costuma ser das últimas coisas a cortar, porque é estrutura — mas isso é decisão sua, não regra.