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Sinais e reconhecimento

Acho que meu filho está usando drogas: o que fazer primeiro

A primeira reação quase sempre é uma das duas piores: o confronto imediato ou o silêncio de quem tem medo de confirmar. Este texto propõe um caminho entre as duas, pensado para preservar o vínculo — que é o único instrumento que a família realmente tem.

Nascente Clínicas de Recuperação · Equipe editorial

Atualizado em · 3 min de leitura · como escrevemos

Primeiro: não decida nada nas primeiras horas

Descobrir dói, e decisão tomada com dor costuma ser decisão ruim. As primeiras horas servem para você se organizar, não para resolver. Converse com outro adulto da família antes de conversar com a pessoa. Chegar alinhado importa mais do que chegar rápido.

A exceção é risco imediato: overdose, ferimento, ameaça de morte, direção sob efeito. Aí não há o que planejar — é emergência.

Segundo: escreva o que você viu

Anote fatos com data: quantas noites fora, quanto dinheiro sumiu, quais compromissos foram perdidos, o que você encontrou. Fatos escritos servem para duas coisas. Na conversa, permitem que você fale de acontecimentos em vez de acusações. Na consulta, dão ao profissional a informação que a própria pessoa vai minimizar.

Esse registro é também o começo do laudo, se mais adiante for necessário discutir internação involuntária.

Terceiro: escolha o momento e a pessoa certa

Nunca durante o efeito, nunca no meio de uma briga, nunca com plateia. Escolha um momento de sobriedade, num lugar em que a pessoa não se sinta encurralada. Uma pessoa fala; as outras ficam disponíveis. Duas ou três pessoas cobrando ao mesmo tempo produz defesa, não abertura.

O objetivo dessa primeira conversa não é obter confissão nem compromisso de parar. É abrir uma porta e marcar uma avaliação.

Quarto: fale do que você vê, não do que ele é

Existe uma diferença enorme entre 'você está jogando sua vida fora' e 'você não dormiu em casa três vezes esse mês e eu estou com medo'. A primeira frase pede defesa. A segunda pede resposta.

Evite as palavras que carregam sentença: viciado, drogado, largar o vício, última chance. Elas não descrevem nada e fecham a conversa. Diga o que você observou, diga o que sentiu e diga o que você quer — nessa ordem.

Quinto: proponha avaliação, não internação

Internação é uma conclusão possível, não o ponto de partida. Propor consulta com psiquiatra ou com equipe especializada é um pedido muito menor, muito mais aceitável, e é o que vai definir se internação é mesmo necessária.

Se houver recusa, ofereça alternativas: outro profissional, outro dia, ir junto, ir sozinho. Recusa inicial é comum e não é o fim da conversa.

Sexto: cuide da casa enquanto isso

Proteja o que precisa ser protegido: dinheiro, documentos, chave do carro, medicação de outras pessoas. Isso não é punição, é redução de dano — e vale dizer isso em voz alta para a pessoa, sem transformar em ameaça.

Se houver crianças em casa, elas precisam de explicação em linguagem própria e de rotina preservada. Silêncio total não protege ninguém: crianças percebem tudo e preenchem o vazio com culpa.

Perguntas frequentes

E se ele negar tudo?

Negar é a resposta mais provável e não significa que a conversa falhou. Você plantou uma informação: que foi percebido e que existe uma porta aberta. Mantenha a oferta de avaliação viva, sem repetir a cobrança diariamente.

Posso internar contra a vontade?

Pode, pela via involuntária, mas ela exige laudo médico fundamentado e é reservada a situações de risco em que a pessoa não tem condição de consentir. Não é um atalho para resolver recusa de tratamento.

Se houver ameaça de suicídio, mesmo dita de passagem, leve a sério. CVV 188, 24 horas, gratuito. Em risco imediato, 192.

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