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Emergência e risco

Convulsão por abstinência: o que fazer nos primeiros minutos

A crise convulsiva é uma das complicações mais assustadoras da retirada de álcool e de benzodiazepínicos. Saber o que fazer nos dois minutos em que ela acontece reduz o risco de lesão — e saber o que ela significa muda a decisão que vem depois.

Nascente Clínicas de Recuperação · Equipe editorial

Atualizado em · 2 min de leitura · como escrevemos

Durante a crise

Proteja a cabeça. Coloque algo macio embaixo dela e afaste móveis, objetos e quinas. Vire a pessoa de lado, se conseguir, para que a saliva escorra e não vá para o pulmão.

Marque o horário. Saber quanto durou é a informação mais útil que você pode dar ao socorro. Ligue 192 — especialmente se for a primeira crise, se durar mais de cinco minutos, se houver outra em seguida ou se a pessoa não recuperar a consciência.

O que nunca fazer

Não coloque nada na boca. Nem dedo, nem colher, nem pano. A pessoa não engole a língua — isso é mito — e o objeto quebra dentes, machuca e pode ir para a via aérea.

Não segure os braços e as pernas para conter o movimento. Contenção durante a crise causa fratura e luxação. Não jogue água, não dê remédio e não tente dar de beber.

Depois que passa

É normal haver um período de confusão, sonolência e desorientação que dura de minutos a uma hora. Fique junto, fale com calma, oriente onde a pessoa está e o que aconteceu. Não ofereça comida nem bebida enquanto ela não estiver plenamente desperta.

Toda primeira crise convulsiva exige avaliação médica, mesmo que a pessoa pareça bem. Toda crise em contexto de abstinência exige, além disso, revisão do plano de retirada.

Por que isso muda tudo

Convulsão por abstinência costuma ocorrer entre 12 e 48 horas após a última dose e é um marcador de gravidade. O risco tende a aumentar a cada novo episódio de retirada não assistida — fenômeno que a literatura descreve há décadas.

Na prática: quem já teve uma crise ao parar de beber não pode mais tentar parar sozinho. Nunca. Qualquer nova interrupção precisa de acompanhamento com monitorização e medicação adequada.

Onde essa fase deve acontecer

Em ambiente com retaguarda clínica: leito de enfermaria, checagem de sinais vitais em intervalos definidos, hidratação, reposição de tiamina e medicação titulada pela intensidade dos sintomas.

Na nossa rede, é a unidade de Ibiúna que tem essa estrutura. Em qualquer serviço que você avalie, pergunte objetivamente: quem está na unidade de madrugada e qual a formação dessa pessoa.

Perguntas frequentes

Convulsão por abstinência é epilepsia?

Não. É uma crise provocada pela retirada da substância. Ela pode acontecer em quem nunca teve epilepsia, e costuma não se repetir depois que a abstinência é tratada.

Pode acontecer com maconha ou cocaína?

A crise convulsiva típica de abstinência é do álcool e dos benzodiazepínicos. Estimulantes podem provocar convulsão por intoxicação, que é um quadro diferente e igualmente grave.

Convulsão com duração acima de cinco minutos, crises repetidas ou ausência de recuperação da consciência são emergência absoluta. Ligue 192 imediatamente.

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